Projeto da minha monografia sobre Futebol Feminino

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Segue abaixo o projeto de monografia de conclusao do curso de Educação Fisica Em 1999 na Gama Filho.

Espero que seja de alguma valia.

I - INTRODUÇÃO

O futebol, que é a grande paixão nacional do Brasil e mobiliza milhares de torcedores aos estádios e na frente de televisores, sempre foi considerado um esportes para homens. Talvez pela sua rigidez ou pela força, a mulher que jogava era logo estigmatizada, como qualquer pessoa que fizesse algo que ia contra a sociedade ou a opinião da maioria. Não é natural mulheres jogando futebol. Quem é estigmatizada, não tem apoio.

Nem mesmo o sucesso das meninas nas Olimpíadas, nem a proliferação de escolinhas, principalmente na praia, fez com que o apoio, tanto de mídia quanto de empresas patrocinadoras, crescesse esse esporte. Quantos jogos de futebol feminino são televisionados ao vivo pela televisão convencional ou até mesmo por rádio? Em noticiários, quantas vezes falam em futebol feminino? E na mídia impressa? Quantas reportagens tem falando sobre esse lado do futebol, o esporte mais adorado do país?

Essa falta de apoio prejudica o desenvolvimento e o crescimento. Em desenvolvimento porque não há um treinamento e uma dedicação adequada ( precisa-se viver só do futebol para se ter uma melhor dedicação e isso não acontece no futebol feminino por causa da falta de patrocínio). E prejudica o crescimento, pois a maioria dos pais não querem ver suas filhas jogando futebol, por acharem masculino demais, procurando assim outro esporte para a prática desportiva da menina.

Essa representação (de masculinização) faz com que a sociedade estigmatize a menina que joga futebol de “sapatão”. Será que os pais querem que as suas filhas fiquem com esse estigma? É claro que não. E pouquíssimos tem a visão de que o futebol é um esporte, que vai proporcionar para a criança uma gama de experiências motoras, como outro qualquer.

As mulheres nunca jogarão como os homens. Suas características fisiológicas e estruturais são diferentes. E a compreensão e rigidez tática e técnica que os homens tem as mulheres não tem, justamente porque não tem uma consciência dentro de quadra / campo que os meninos tem desde criança por jogarem futebol todos os dias nas diversas quadras espalhadas nas ruas.

Pretendo investigar as barreiras que a mulher enfrenta para a prática do futebol feminino, sejam elas sociais, culturais, econômicas ou política.

II - PROBLEMA

Logo levanto como problemas para esta investigação, quais as barreiras que a mulher vem enfrentando para superar o estigma do preconceito no futebol?

III- HIPÓTESES

A falta de apoio tanto de patrocinadores, que se disponham a tornar o esporte totalmente profissional, tanto o clube em ceder o seu espaço e tempo impede o crescimento e desenvolvimento do futebol feminino?

As representações que sempre surgem em volta da mulher que joga futebol ou os apelidos ( Ana Machadão, Mulher Macho, Sapata e etc.) fazem com que crianças não tenham incentivo, principalmente dos pais, para a iniciação?

Será que o desinteresse da mídia em divulgar o futebol feminino deve-se ao desinteresse do público por já está acostumado ao jogo masculino, muito mais rápido e preciso?

O apoio dos pais incentivando a menina em escolinhas de futebol facilita o aparecimento de novas “craques”?

IV - OBJETIVOS (s)

Pretende-se com este estudo, identificar e analisar os obstáculos que a mulher como praticante de futebol tem de ultrapassar. Obstáculos sociais, que vão desde o questionamento sobre a sexualidade da mulher ao rótulo dessas mulheres socialmente. E obstáculos econômicos que é uma praticante conseguir sobreviver apenas do futebol, como os homens.

Demonstrar também que a mulher, se tivesse uma iniciação ( aprendizado de fundamentos) tão completa e rica como a do homem, poderia se aproximar mais da técnica e da precisão do jogo masculino.

Saber a influência da mídia em relação ao futebol feminino, se ela ajuda ou atrapalha, se ela apóia e etc.

V - JUSTIFICATIVA DO ESTUDO / RELEVÂNCIA DO ESTUDO

Revelar as barreiras que as mulheres / meninas enfrentam para a prática do futebol, facilitando cada vez mais o acesso a essa área, alem de elucidar a discussão na sociedade que o futebol pode ser praticado por mulheres.

Incentivar cada vez mais a prática precoce desse esporte, para que as meninas tenham as mesma experiências que os meninos, aprendendo assim os segredos do futebol.

Mostrar que o futebol feminino é um mercado a ser explorado por profissionais de educação física, tanto no que se diz respeito a iniciação, com escolinhas desportivas, quanto no treinamento de times adolescentes e adultos e revelar as diferenças entre o futebol feminino e masculino, compreendendo assim porque o jogo é tão diferente e porque as barreiras são tão difíceis de serem superadas pelas praticantes desse esporte.

VI - METODOLOGIA

Esta pesquisa tem duas fases: Uma fase é um levantamento bibliográfico e a outra fase é de entrevistas com pessoas que tem experiência no futebol feminino, sendo divididas entre profissionais e praticantes.

O levantamento bibliográfico constituiu em uma procura de livros e trabalhos relacionados ao futebol de um modo geral, com explicações sobre a importância de fundamentos bem ensinados e praticados, influência dos patrocinadores e da mídia para o crescimento do futebol feminino. Foi procurado ainda alguns trabalhos e livros que esclarecesse a diferença entre homens e mulheres e saber se essas diferenças influenciam no jogo de futebol dentro de campo. Além disso, foi pesquisado o papel e as características da mulher na sociedade e a história dela no esporte em geral, para entender e confirmar se as barreiras a serem superadas são apenas do futebol ou já aconteceu com outros esportes.

Contei ainda com ajuda de pessoas que trabalham com o futebol feminino que forneceram materiais que não foram publicados ou que foram publicados por revistas de pequena circulação, como é o caso da Revista Bem – Forte.

Na entrevista, procurou-se trazer a opinião e a visão tanto dos profissionais e quanto de praticantes do futebol feminino quanto as barreiras levantadas com a bibliografia e assim confirmar ou contestar as afirmações feitas. Procurou-se levantar com as entrevistas aspectos que influenciam o futebol feminino como: mídia, patrocinador, iniciação tardia, pais, espaço físico e etc.

Assim sendo, todas as respostas serão levadas em consideração e colocadas em um quadro onde facilitará a visão dos resultados obtidos.

A população a ser considerada foi praticantes de futebol feminino no Município do Rio de Janeiro.

A população é de :

- 23 praticantes de Futebol no Município do Rio de Janeiro, sendo amadoras ou profissionais.

VII - RESULTADO DO ESTUDO

O futebol não é um esporte para homens e não só as praticantes sabem disso. A família, que entra como grande incentivadora também está consciente ( se julgarmos pelo incentivo que dá as praticantes) que o futebol pode sim ser jogado por mulheres. E não é só a família que incentiva. Amigos, namorados e treinadores também entram nessa lista de incentivo e mostra que nós, professores, temos uma influência em cima dessas meninas. Porque então não ajudar nessa iniciação feminina ao futebol?

Esse esporte faz bem para as meninas. Elas procuram espaços para as práticas, procuram apoio e reclamam que a mídia poderia ajudar mais na divulgação de campeonatos que ocorrem no nosso estado. Divulgação que façam elas lembrarem e terem com ídolos jogadoras de futebol e não jogador de futebol. Divulgação que mostrem que as diferenças enumeradas por elas não é por falta de prática não. As mulheres são mais lentas e menos fortes que os homens. E é por isso que o jogo é diferente. Nada de técnica ou tática. São diferenças que a anatomia e fisiologia humana explicam, não quem é melhor ou pior.

Quem me garante que se não houvesse toda uma história de exclusão da mulher no esporte, hoje em dia não seria o futebol um esporte leve que seria praticado melhor por mulheres já que elas não são violentas quantos os homens.

Os pais já estão incentivando, não, a maioria não sofre mais preconceito que sofriam antes. As mulheres estão vencendo as barreiras. Talvez se a houvesse um maior entendimento, um maior esclarecimento, essas barreiras diminuam. É esse o propósito desse estudo. Esclarecer as barreiras enfrentadas é fundamental para que essas sejam mais facilmente vencidas.

VIII - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

AZEVEDO, Tânia Maria. ( 1988). A mulher e a atividade física: preconceitos e estereótipos. Tese de Mestrado, Universidade Federal Fluminense, UFF, Rio de Janeiro

CARVALHO, Paulo César. ( 1994). O futebol e a Televisão. Universidade Gama Filho. Rio de Janeiro

CONTURSI, Ernani B. ( 1996) Marketing Esportivo. Sprint Editora: Rio de Janeiro

EHRRHARDT, Ute. ( 1994) Meninas Boazinhas vão para o céu. As más vão a luta. Rio de Janeiro: Editora Objetiva

JORNAL O DIA, Rio de Janeiro. 13 de Setembro de 1998

LUZ, Sérgio Ruiz. Revista Veja, Sou gay e jogo como um homem, 31 de março de 1999.

MICHAEL, Andréa, CORTÊS, Celina. Revista Istoé. Perfume, Gelol e chuteiras . 30 de abril de 1997

MOURÃO, Ludmila. ( 1998). Representação Social da mulher brasileira na atividade físico-desportivo: da segregação a democratização. Tese de doutorado, Universidade Gama Filho, UGF, Rio de Janeiro

PAIXÃO, Roberta, Revista Veja, Chute no tabu, 15 de julho de 1998

VOTRE, Sebastião J. ( Orgs) (1996). A representação social da mulher na Educação Física e no Esporte. Rio de Janeiro: Editoria Central da Universidade Gama Filho.

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