O Sucesso é Colocar a Empresa Dentro da Gente

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O Sucesso é Colocar a Empresa Dentro da Gente

O empregado que consegue colocar a empresa dentro dele próprio tem mais chance de sucesso do que o outro que fica tempo excessivo dentro da empresa. Essa é uma declaração complexa e intrigante, mas ela é verdadeira. De fato, passar tempo excessivo dentro da empresa produz aumento da folha de pagamento de horas extras ou elevado saldo em bancos de horas, mas não resolve os problemas de sobrecarga de responsabilidade, de pendências acumuladas, ou de desconformidade dos processos de trabalho. Contrariamente, colocar a empresa para dentro de si pode levar o empregado a aumentar a sua produtividade e a sua capacidade de escalar a estrutura hierárquica. É para facilitar essa incorporação que a empresa determina com clareza sua visão de mundo, missão, valores, objetivos, diretrizes, metas e normas. Essas orientações não são para serem penduradas na parede ou esquecidas em relatórios, ou na memória dos computadores; elas servem para colocar a empresa dentro das pessoas. Essa é a chave do sucesso e o texto vai explicar como usá-la.
O ponto de partida rumo ao sucesso é o empregado compreender a visão de mundo coletiva da empresa, que abrange conhecer profundamente o mundo no qual a empresa está inserida, as principais forças que puxam o futuro, os condicionantes sociais, políticos e tecnológicos, o funcionamento do mercado, os clientes, os atores, os colaboradores, os parceiros, os números, as previsões de cenários e também os seus sonhos. A visão de mundo coletiva de uma empresa não é um simples desejo que se põe em uma frase curta. A visão é literalmente um mundo e alguém tem que explicar para o empregado a interpretá-lo.
Essa visão coletiva vai facilitar a conscientização do papel social da empresa no mundo, a sua missão, que talvez seja o fator mais complexo e mais importante para o sucesso, pois exige que o empregado coloque esse papel lá no fundo da sua alma, para torná-lo também seu. Essa inserção é indispensável para o empregado saber com clareza o que ele tem que fazer para melhorar a sociedade. É assim que ele se torna muito mais do que um simples indivíduo contratado, pois a partir daí ele começa a fazer parte constituinte da empresa e, na verdade, a parte sensível e pensante dela, a sua principal parte. Por exemplo, a missão de uma escola é muito mais do que ensinar, seja biologia ou geografia. A missão de uma escola poderia ser tornar o ser humano mais perfeito e útil para a sociedade.
Só, e somente só, quando o empregado tiver plena consciência desse papel social no qual ele passa a ficar inserido é que ele poderá absorver os valores da empresa, permitindo-lhe criar um padrão comportamental adequado para cumprir a missão. Caso contrário, o empregado poderá tomar caminho distinto daquele que se espera. Destarte, ele vai incorporar uma escala comum de valores que vai lhe permitir distinguir o que é certo e o que é errado para o cumprimento do seu papel social. Um comportamento dentro dessa escala contará facilmente com a cooperação dos demais empregados e provocará movimentos contínuos de complementaridade e fortalecimento de suas ações, tornando muito mais curto o seu caminho para o sucesso. Seguindo o exemplo anterior, o da escola, para facilitar o entendimento, alguns dos valores poderiam ser: ética no ensino, responsabilidade ambiental e formação de uma cultura empreendedora para os alunos. Todos esses valores são fatores-chave de sucesso.
Daí para frente tudo fica mais fácil; é somente começar a colocar para dentro de si os objetivos, metas, diretrizes e normas da empresa. Agora o empregado está preparado para receber a empresa e entendê-la. Essas informações vão orientar as idéias e o foco das ações, dando produtividade adicional ao empregado e mais objetividade ao que ele faz. Em outras palavras, as orientações vão impedir que as ações se afastem dos objetivos da empresa e das formas para alcançá-los com eficiência e rapidez. Assim, o empregado não vai precisar ficar tanto tempo na empresa, ela é que ficará dentro dele. Ele vai ter tempo para criar, inovar e propor alternativas.
Os conceitos devem ser explicados com clareza para se entender como essas orientações funcionam. Primeiro, o objetivo. Ele representa o que a empresa quer fazer pela sociedade, pelo cumprimento do seu papel social. Portanto, ele expressa o se quer, mas não é uma determinação porque não se tem completo controle sobre as variáveis necessárias para alcançá-lo. Essa característica é muito importante, pois as auditorias e órgãos de controle externo têm que entender que se uma empresa ou instituição não consegue atingir plenamente o objetivo na forma pretendida, não é justo apenar os dirigentes. O que deve ser feito é avaliar a subordinação das metas ao objetivo e se elas foram realizadas como previstas e orçadas. Um exemplo do conceito de objetivo, aplicado à escola, poderia ser: criar uma cultura empreendedora na população jovem do município tal. O objetivo tem que definir o que se vai fazer pra melhorar a sociedade e precisar qual o segmento dela vai ser beneficiado, pois o objetivo tem que se subordinar diretamente à missão da empresa.
Frequentemente o objetivo é confundido com as metas empresariais, que têm função distinta de informar a quantidade ou a qualidade do esforço interno que a empresa decidiu realizar. Diferentemente dos objetivos, as metas são de completa responsabilidade da empresa, dos executivos e dos empregados, pois eles têm o controle da alocação das variáveis e dos recursos para realizá-las. Uma meta tem que ser obrigatoriamente mensurável, pois ela significa um limite, que demarca o exato ponto do que a empresa quer produzir. Para ilustrar o conceito, as metas da escola poderiam ser: formar dois mil alunos (as) nos anos tais e apoiar vinte por cento deles para que abram suas próprias empresas após a formatura. As metas, como se verifica, devem se subordinar aos objetivos, precisamente.
As diretrizes, por sua vez, indicam os caminhos escolhidos para se chegar aos objetivos e realizar as respectivas metas. Portanto, elas comunicam exclusivamente as direções que a empresa deve seguir. As diretrizes se subordinam aos valores da empresa e têm como função conduzir as ações. Para exemplificar, a escola poderia ter três diretrizes: desenvolver um padrão comportamental competitivo e inovativo; ampliar o acesso às inovações e às tecnologias educacionais mais avançadas; e promover o espírito cooperativo. Esses seriam os caminhos escolhidos pela empresa.
As normas, ou melhor, as instruções normativas, são, parcialmente, desdobramentos das diretrizes, mas, não são elas. Enquanto estas comunicam as direções, os caminhos, aquelas explicam com detalhes como e o que se pode e o que não se pode fazer. As normas tanto se subordinam às diretrizes quanto às leis vigentes e aos procedimentos administrativos e técnicos. A forma como preencher a requisição de passagens, os itens que compõem um projeto, ou como utilizar os sistemas informatizados corporativos da escola são exemplos de instruções normativas.
Finalmente, se chega à importante questão de que maneira o empregado vai conseguir colocar tudo isso dentro dele, como apreender, como memorizar tanta coisa. A resposta está no modelo mental do trabalho. Esse modelo consiste em colocar a visão da empresa, a missão e seus objetivos, metas, diretrizes, normas, projetos, leis e números no pensamento e ação do empregado. Aparentemente é difícil, mas é fácil para aqueles que têm a empresa dentro deles.
Quando a empresa está dentro do empregado, ele não precisa mais dos quadros pendurados na parede, nem dos relatórios guardados nos armários, e tão pouco dos arquivos escondidos nas memórias dos computadores, ou do calhamaço que o empregado ostenta sobre a mesa como efeito demonstração do tanto que ele é importante e tem para fazer. Muito pelo contrário, ele não precisa nada disso, o que ele tem que fazer é praticar a empresa que existe dentro dele, aplicando as informações em tudo o que ele vier a pensar e fazer. Se o empregado usá-las constantemente, continuamente e repetitivamente, não precisará gastar tempo para memorizar nada. E quanto mais praticá-las nos seus processos decisórios e operacionais, mais o empregado vai intensificar e aperfeiçoar a empresa que existe dentro dele. Não há outro caminho e não há mágicas.
Portanto, valendo-se mais uma vez do exemplo daquela escola, todas as informações de mercado, nacional e internacional, sobre modelos educacionais, empreendedorismo, inovações, setores econômicos, micro e pequenas empresas, Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, os projetos da escola, as normas, os custos operacionais e as várias outras têm que estar obrigatoriamente dentro da alma e da cabeça das pessoas. O empregado tem que saber de tudo que está relacionado com o seu negócio, seu trabalho e suas funções.
Em síntese, o caminho mais fácil para o empregado ter sucesso, escalando a estrutura hierárquica da empresa e aumentando a produtividade é colocar a empresa dentro de si e não se colocar excessivamente dentro da empresa. O caminho mais fácil é praticar a empresa que está dentro dele repetitivamente, o dia todo. Foi para isso que as empresas definiram os vários conceitos orientadores, como missão, valores, diretrizes, objetivos, metas e normas, pois todos eles têm uma utilidade e uma aplicação específica. Ainda, quanto mais o empregado se dedicar para compreendê-los, aplicá-los e repetí-los, mais ele fortalecerá a empresa que está lá na sua alma e na sua cabeça, mais aumentará a sua produtividade, menos retrabalho vai ter e menos tempo extra vai ficar dentro da empresa. E com certeza ele vai ter muito sucesso.

José de Moraes Falcão
Economista


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