Empresas investem pouco no consumidor mais velho

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No terceiro dia da HSM na ExpoManagement 2007 (7), evento de gestão de empresas que acontece anualmente em São Paulo, o Bradesco Vida e Previdência promoveu palestra com o diretor e fundador do Massachusetts Institute of Technology AgeLab , Joseph Coughlin, sobre longevidade. O tema é especialidade do palestrante, que coordena estudos sobre o envelhecimento, sendo referência mundial no assunto.

Na palestra, ele enfatizou as oportunidades ímpares que a maioria das empresas está deixando de aproveitar: "No mundo inteiro, o número de pessoas com mais de 60 anos (chamados pelos especialistas de baby boomers) está aumentando, mas as empresas ainda estão investindo pouco nesse público. Elas estão atrasadas", lamentou, ao lembrar que esse é um público com dinheiro e disposto a investir em uma vida melhor.

"Acredito que os presidentes das companhias saibam que a população está envelhecendo rapidamente, mas eles devem pensar que não há motivos para mudar se estão obtendo lucro. Além disso, os profissionais de design e publicidade costumam ter, no máximo, 30 anos. Para eles, pessoas com 50 anos já são idosas. Trata-se de uma realidade muito longínqua, por isso preferem focar no público jovem. Mas os empresários precisam pensar diferente, ser inovadores", alerta.

Dados
Para se ter uma idéia do crescente número de idosos, atualmente, uma em cada quatro famílias do mundo cuida de um adulto mais velho. Além disso, 50% dos trabalhadores estão mais preocupados em cuidar de um idoso do que de uma criança.

No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população de idosos representa um contingente de 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade, que representam 8,6% da população. As mulheres são maioria (8,9 milhões, que representam 62,4% dos idosos), sendo as responsáveis pela casa. Elas têm, em média, 69 anos de idade e 3,4 anos de estudo.

Nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% do contingente total ao final deste período. É fácil entender o dado: a proporção de mais velhos vem crescendo mais rapidamente que a de crianças. Por exemplo, em 1980, existiam cerca de 16 idosos para cada 100 crianças; em 2000, essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças.

Além disso, o grupo das pessoas com 75 anos ou mais de idade teve o crescimento relativo mais acentuado (49,3%) nos últimos dez anos, no total dessa população. Com um rendimento médio de R$ 657, o idoso ocupa, cada vez mais, um papel de destaque na economia brasileira.

As novidades residem no fato de que, hoje, o envelhecimento tem a ver com grandes expectativas, nas palavras de Coughlin. E a tecnologia proporcionou uma vida melhor. Ele explica que, após a aposentadoria, cada vez mais a população opta por continuar trabalhando. Não por conta do dinheiro, mas pelo sentido da vida.

O que eles esperam
Para Coughlin, as empresas que terão sucesso no futuro irão acompanhar as necessidades em transformação constante do consumidor. No caso das pessoas mais velhas, para conquistá-las e fidelizá-las, o importante é oferecer produtos e serviços personalizados, que solucionem problemas.

Como exemplo, ele citou a rede de farmácias inglesa Boots, que oferece check-up aos clientes, além de vender remédios, e alguns supermercados de outros países, que estão desenvolvendo carrinhos "inteligentes". Assim, quando o cliente escolhe produtos perigosos à saúde, o carrinho alerta para que faça outra opção.

Ele lembrou também da Nike, que, agora, faz tênis sob medida. A inovação foi criada justamente para os baby boomers. "São pessoas que têm dinheiro, por isso podem pagar pelo conforto, e desejam se cuidar", argumenta o fundador do Massachusetts Institute of Technology AgeLab.

Características por gênero
As mulheres tomam de 80% a 90% das decisões de compra que envolvem saúde e casa e, quando envelhecem, ficam ainda mais ativas, segundo o palestrante. Por sua vez, à medida que o homem envelhece, participa menos das decisões dos gastos da casa. "Eles passam os dias sentados no sofá", conta Coughlin, para quem não é raro donas de casa resolverem trabalhar quando ficam mais velhas.

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