Está endividado? Veja dicas de especialistas para sair do vermelho

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A incerteza em relação aos impactos da crise financeira mundial, porém, já deixa as famílias mais cautelosas. De acordo com pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), divulgada no último dia 12, a taxa de endividamento na capital paulista recuou de 45% para 38%, o menor patamar desde que o índice começou a ser medido em 2004.

Para fazer como estes paulistanos que conseguiram organizar as finanças, especialistas aconselham: renegocie as dívidas. “Primeiro, é preciso ter muita calma e equilíbrio para fazer um bom diagnóstico da situação”, afirma Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente do Instituto Disop e autor do livro Terapia Financeira (Editora Gente).

"Fotografias" da situação financeira

Segundo Domingos, para sair do vermelho o primeiro passo é descobrir “onde você está”. Para isso, ele aconselha anotar todos os rendimentos e gastos da família por um mês, para quem recebe salários fixos, e por pelo menos três meses para quem têm salários variáveis.

A planilha deve ser dividida entre despesas fixas (aluguel, condomínio, IPVA, IPTU, seguros), variáveis (alimentação, luz, gás, transporte, telefone) e supérfluas (viagens, passeios, restaurantes). “Tem que anotar até aquelas despesas bem pequenas, como o dinheiro gasto com gorjetas, cafezinho e estacionamento”, afirma.

Domingos explica que, em geral, quando precisam economizar, as pessoas tendem a controlar as grandes contas, como energia elétrica, água e telefone, mas, raramente, reparam nos pequenos gastos do dia-a-dia. “Essas pequenas despesas representam de 10% a 30% do gasto total mensal”, diz. Por isso, segundo ele, os endividados que querem retomar a saúde financeira devem dar atenção especial a estas questões. “É uma gordura que podemos tirar do orçamento”, considera.

“Tem que anotar até aquelas despesas bem pequenas, como o dinheiro gasto com gorjetas, cafezinho e estacionamento”

O especialista alerta que este controle criterioso deve ser feito apenas uma ou duas vezes por ano ou quando ocorrerem mudanças no padrão de vida da família em razão do aumento da renda ou de imprevistos, como doença e desemprego. “A idéia é que as pessoas possam ter fotografias periódicas de sua situação financeira, não que fiquem escravas destes registros”, afirma.

Com as anotações, Domingos explica que você conseguirá visualizar “para onde está indo o dinheiro” e vai perceber que está gastando mal em alguns setores de sua vida.

Traçar uma estratégia

Feito o diagnóstico de ganhos e gastos, é hora de traçar uma estratégia para conseguir pagar as dívidas. Neste momento, segundo o educador financeiro, é preciso manter-se motivado e estabelecer metas de curto, médio e longo prazo. “Os objetivos têm que ter preço para que você consiga visualizar os sacrifícios que terá que fazer para atingi-los”, orienta.

Sobre as dívidas, o primeiro passo é anotá-las em uma tabela e dividi-las por valor e taxas de juros praticadas. A tabela deve ser organizada em ordem decrescente, com as dívidas mais caras no início. “Pague primeiro as dívidas essenciais, como água, luz e telefone, que são os serviços que você não pode ficar sem”, explica Domingos.

Depois, a ordem é priorizar as dívidas que têm taxas mais altas. Em geral, são aquelas relacionadas ao cartão de crédito e ao cheque especial. Neste momento, não tenha dúvida: renegocie. “Procure o gerente do seu banco e diga que quer cancelar o cheque especial e trocar por uma linha de crédito com juros menores”, diz o especialista, já que, hoje, as taxas de juros do cheque especial podem ultrapassar 10% ao mês. Na renegociação, a idéia é que as taxas não excedam 2,5% ao mês.

“Vá até a instituição financeira e proponha um acordo para pagar em 10 vezes sem juros”, sugere o administrador de empresas e co-autor do livro 'Como Sair do Vermelho e se Tornar um Investidor de Sucesso' (Porto de Ideias), Cláudio Carvajal Júnior.

“Pague primeiro as dívidas essenciais, como água, luz e telefone, que são os serviços que você não pode ficar sem"

Segundo ele, quando a negociação não é possível, “a substituição da dívida é uma boa estratégia para sair do vermelho”. Antes de tudo, é preciso ler com atenção o contrato do banco. Geralmente, é dado um desconto quando as parcelas são pagas em dia. Por outro lado, em alguns casos, quando o contrato é quebrado, a dívida volta ao patamar original acrescida de juros e multas. “Verifique o custo total do empréstimo porque qualquer operação inclui taxa de juros, taxa do banco e impostos pelo produto”, diz.

A ideia, explica Carvajal, é não cair na tentação de pegar um empréstimo maior do que o necessário no momento. O crédito deve servir apenas para pagar as dívidas de pior perfil - que apresentam taxas mais altas. “O empréstimo tem que ser feito pelo menor tempo possível. Tem gente que quer cobrir uma dívida de R$ 2 mil no cheque especial, mas aproveita e já pega um empréstimo de R$ 5 mil. Assim, acaba ainda mais endividada”, exemplifica.

Crédito consignado, mudar de banco...

Outra alternativa para quem quer organizar as finanças é valer-se do crédito consignado, cujo desconto das prestações cai diretamente na folha de pagamento. Assim, o trabalhador recebe o salário já com o valor deduzido. “Como o risco da instituição de não receber é menor, normalmente, ele é muito mais barato do que os outros produtos financeiros. É uma boa opção”, afirma Carvajal.

O educador Reinaldo Domingos esclarece que esta opção deve ser usada, principalmente, para “sair do sufoco do cheque especial ou do cartão de crédito”. “Para quem está no crédito pessoal parcelado ou no carnê da loja tem que analisar se o desconto que será dado pelo pagamento antecipado da dívida será maior que a taxa de juros do empréstimo consignado”, diz.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Estudos e Defesa do Consumidor (Ibedec), outra ferramenta é o consumidor trocar de banco para o pagamento da dívida. Com isso, um banco pagará a sua dívida no outro e lhe cobrará juros mais baratos. A medida é assegurada pelo Banco Central e proíbe a cobrança de qualquer taxa adicional para fazer a quitação.

Existem ainda as cooperativas de crédito, cujas taxas de juros são menores que as cobradas pelos bancos privados. Conforme o Ibedec, para ser um associado e ter acesso ao crédito, em geral, o consumidor precisa preencher um cadastro e adquirir um valor mínimo de cotas da cooperativa. Além de empréstimos mais baratos, ele pode receber dividendos - parcela do lucro da empresa distribuído aos cooperados em proporção ao seu número de ações – ao final de cada ano.

No entanto, os consultores advertem que a renegociação só vale a pena quando for possível pagar o novo contrato. Caso contrário, você continuará endividado e, ainda, inadimplente. “Não basta trocar de credor. Você combate o efeito, mas não a causa”, critica Domingos. Segundo ele, é preciso uma mudança de comportamento, que inclui cortar os gastos supérfluos mostrados na panilha e poupar parte do salário para a realização de sonhos. “Você tem que ter uma visão clara de que pode ser mais feliz com o que aquilo que tem. È fazer as coisas voltarem a ser simples”, diz.

"O empréstimo tem que ser feito pelo menor tempo possível. Tem gente que quer cobrir uma dívida de R$ 2 mil no cheque especial, mas aproveita e já pega um empréstimo de R$ 5 mil"

Dicas para ficar atento
1. Abandonar a onda de consumismo
Ter apenas uma folha de cheque na carteira, deixar em casa o cartão de crédito e sair de casa com o dinheiro contado.
2. Nunca avançar no limite do cheque especial
Sempre pedir autorização ao bolso antes.
3. Não "emprestar" seu nome para que parentes e amigos façam dívidas. Se eles não podem usar o próprio nome é porque provavelmente já estão com problemas de endividamento e podem te complicar também.
4. Guardar dinheiro equivalente a pelo menos três meses das despesas fixas. Se houver algum imprevisto, você saberá que pelo menos as despesas básicas estarão cobertas
5. Ter um custo físico reduzido com aluguéis e prestações. Isso irá auxiliá-lo se perder o emprego.
6. Estabelecer metas para o gasto varável.
Uma delas é simular uma redução de 20% para cada item de consumo, como energia elétrica e água, e planejar com a família o que fazer com o dinheiro economizado.
7. Planejar por mês quanto pretende gastar.
com roupas, cinemas, restaurantes e afins, e nunca sair de casa sem estabelecer o que quer comprar e quanto gastar.


Fonte: cartilhas de uso consciente do dinheiro feitas pelo banco Itaú, livro Como Sair do Vermelho e se Tornar um Investidor de Sucesso e dicas de Reinaldo Domingos

Alerta amarelo

Os especialistas alertam para algumas atitudes que deixam as pessoas mais suscetíveis a entrar no vermelho. Uma delas é pagar apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito. “Quem paga 100% da fatura tudo bem, agora o pagamento mínimo é uma armadilha fantástica. Você financia o resto a juros altíssimos”, diz Carvajal Júnior. “Em seis meses isso se torna uma bola de neve”, completa.

Já o cheque especial deve ser considerado somente para situações de emergência, quando o dinheiro para cobri-lo entrará em alguns dias. “Ele tem que ser usado para uma eventualidade. Passou de três meses no cheque especial é um sinal de alerta, de que a saúde financeira não está bem”, afirma o administrador.

Não ter nenhuma reserva financeira também é sinal de atenção. Carvajal explica que para cobrir eventuais imprevistos é necessário disciplinar-se a poupar pelo menos 10% do salário mensal. Com moradia, por exemplo, a recomendação do especialista é não comprometer mais que 30% do orçamento. “O financiamento imobiliário é um investimento, que, ao final de um período, você adquire um patrimônio, mas não aconselho a gastar mais de 30% com aluguel, parcelas ou condomínio”, afirma.

Já Reinaldo Domingos tem um conselho radical para quem sair do vermelho e nunca mais entrar: só comprar à vista. “As pessoas nunca devem fazer prestações. Os juros comem o dinheiro e elas ficam mais pobres. Comprando à vista elas consomem felizes”. Quando for inevitável a compra a prazo, a sugestão do educador é clara: “nunca comprometer mais do que 20% da renda total mensal da família”.

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