Fases do salto a distância

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Didaticamente, o salto em distância pode ser dividido em quatro partes consecutivas. A corrida de abordagem consiste do momento que o atleta inicia o movimento em direção a tábua de impulsão até o instante do último toque do pé de takeoff no solo (touchdown). O takeoff compreende o instante deste último toque (touchdown) até a perda de contato do pé de apoio com o solo (instante do takeoff). A fase de vôo consiste o instante da perda de contato do pé de apoio com a tábua de impulsão (instante do takeoff) até o primeiro contato do corpo do atleta com a areia da caixa. Sendo que a aterrissagem inicia-se com este primeiro contato até o repouso do CG do atleta (Hay, 1978)

Corrida de Abordagem 

A corrida de abordagem consiste de uma corrida em torno de 40 a 45 metros ou de 17 a 23 passadas antes do contato com a tábua de impulsão. Esta corrida tem a função de proporcionar ao atleta uma posição ótima para o contato com a tábua (Hay, 1978). Durante a corrida, os músculos possuem duas funções essenciais: acelerar o corpo na direção horizontal e agir contra a força da gravidade atuante na direção vertical (Wiemann and Tidow 1995). Momentos antes do contato com a tábua o atleta realiza uma série de ajustes no intuito de encontrar uma posição ótima para o salto (Hay, 1978)

A simples alteração súbita ou não programada na freqüência e amplitude nos passos da corrida, a fim de atingir com maior precisão a tábua de impulsão pode levar o atleta às lesões musculares, principalmente localizadas na musculatura isqueotibial durante a fase de contração excêntrica (Lees, Fowler et al., 1993) .  

Takeoff    

A transição entre a corrida de abordagem e o takeoff é a parte que mais influencia na técnica do salto em distância (Hay 1993). O takeoff normalmente é realizado em uma tábua de 20 centímetros de largura enterrada no solo ao nível da pista. Para efeito de padronização definimos o termo takeoff como a transição entre a corrida de abordagem e o início do vôo como proposto por (Hay, 1986). Durante o takeoff ocorre uma perda de velocidade horizontal e um ganho progressivo de velocidade vertical do CG. Não só a perda de velocidade horizontal é importante como torna-se impossível completar um bom salto sem a perda parcial desta velocidade  (Hay, 1986).  

A redução da velocidade horizontal no momento do impulso depende primariamente da duração e magnitude do retardo, ou seja, o tempo e a intensidade das forças do pé no solo; quanto maior for a velocidade de aproximação do atleta, e menor for o tempo de takeoff, maior será a distância do salto (Hay, Thorson et al., 1999) .  

Durante o contato inicial com a tábua há uma grande atuação de forças, na ordem de 7160N a 11770 Newtons ou 11,1 a 16,4 vezes o peso corporal (Hay 1993). Observou-se grande atividade muscular da perna de impulsão durante este período, principalmente dos músculos extensores do joelho. Inicialmente há uma ação excêntrica destes músculos e, conseqüentemente o quadril, joelho e tornozelo ipsilateral encontram-se em flexão, no intuito de absorver o choque inicial e também armazenar energia elástica que produzirá uma ação concêntrica muscular mais produtiva (Lees, Fowler et al., 1993). 

Durante o takeoff o CG do atleta é deslocado horizontalmente e verticalmente, sendo relatados deslocamentos de 80-95 cm na horizontal e de 17-18 cm na vertical  (Hay, 1986). Já a altura do CG no instante do takeoff segundo um estudo está em torno de 1,11-1,26 m (Hay e Miller, 1985). 

No salto em distância, onde o atleta desenvolve grande velocidade durante a corrida de abordagem, ao realizar o takeoff a velocidade horizontal desenvolvida pelo atleta durante a corrida de aproximação é reduzida na ordem de 9,5% a 17%. Essa diminuição se faz necessária para que ocorra um aumento da velocidade vertical e a elevação do centro de gravidade do atleta (Witters, Bohets et al., 1992). Sendo que a redução da velocidade horizontal é mais pronunciada quando o ângulo de projeção CG e a altura do salto são aumentados  (Hay, 1986). Indícios apontam uma alta relação entre a magnitude da diminuição na velocidade horizontal e o aumento na velocidade vertical durante o takeoff. Observaram-se relações entre as velocidades horizontal e vertical na ordem de 2:1 a 3:1 durante o takeoff, e ângulos de projeção de 26,6o e 18,4o respectivamente (Hay, 1986).  

             A literatura demonstra que o trecho que mais influencia o resultado final do salto é a distância de vôo do CG (L2) (Hay, 1986; Hay, 1988). A distância de vôo é determinada pela velocidade, ângulo de projeção e altura relativa do CG no instante do take off, além da resistência do ar encontrada durante o vôo, variáveis essas que determinam a trajetória de qualquer projétil (Hay, 1986). Uma combinação da velocidade horizontal (Vx) desenvolvida na corrida e a velocidade vertical (Vy) adquirida no take off determinam o ângulo de projeção do CG (Hay e Koh, 1988).

O conhecimento destas variáveis torna-se imprescindível para a análise quantitativa do salto em distância, portanto será empregada metodologia que possibilite a descoberta destas variáveis. A metodologia proposta para este estudo será demonstrada mais à frente.

Vôo 

            Uma vez livre no ar, desprezando-se a resistência deste, não há nada que se possa fazer para modificar a trajetória do CG. No entanto, é possível controlar rotações indesejadas, buscando um melhor posicionamento para a aterrissagem. Existem basicamente 3 técnicas de vôo atualmente: a técnica de "sail", a técnica de "hang", e a técnica de "hitchkick" ou também chamada de corrida no ar  (Hay, Thorson et al., 1999). 

Na técnica de "sail" o atleta traz ambas as pernas simultaneamente a frente após a saída da tábua e permanece o restante do vôo na posição sentada, com os quadris flexionados e os joelhos estendidos. É uma técnica primitiva que é muito utilizada de maneira natural, entretanto devido a sua simplicidade ela é pouco eficaz para controlar as rotações e posicionar adequadamente o corpo para a aterrissagem (Hay, 1986). 

Um pouco mais sofisticada, a técnica de "hang" utiliza o deslocamento da perna de balanço a frente logo após o takeoff e posteriormente esta mesma perna realiza o movimento de varrer para baixo e para trás até que as duas pernas se alinhem. Esse movimento da perna de balanço provoca uma ação contrária do tronco e do membro superior para conter certas rotações indesejáveis. Esses movimentos antagônicos são interrompidos até que os braços encontrem-se alinhados acima da cabeça e ao mesmo tempo os joelhos aparecem flexionados na preparação para a queda  (Hay, Thorson et al., 1999). 

A técnica de corrida no ar é a forma mais complexa de vôo utilizada pelos atletas de elite. Além disso apresenta algumas variações, sendo nomeada de acordo com o número de passadas executadas durante o vôo. Contudo, a primeira parte desta técnica se assemelha com a técnica de hang, onde a perna de balanço é levada a frente com o joelho em extensão, para posteriormente fazer o movimento de varrer para baixo e para trás, enquanto a perna de takeoff encontra-se em flexão de joelho com o calcanhar passando próximo a nádega (Hay, 1978). Utilizar uma ou outra técnica de vôo tem como objetivo atingir a melhor distância do salto, realizando movimentos dentro de uma eficiência biomecânica, a fim de que o atleta assuma uma posição ideal para a aterrissagem  (Herzog, 1986). 

Aterrissagem

Durante a aterrissagem, um fator fundamental é a inclinação do tronco do atleta no momento do contato com a caixa de areia. A posição mais adequada de queda é com ligeira flexão do tronco, pois este procedimento aumentaria o tempo de vôo, diminuindo a possibilidade do atleta cair para trás (Hay, 1978). A aterrissagem ótima é caracterizada pela máxima distância de aterrissagem atingida pelo atleta e a mínima perda dessa mesma distância (Herzog, 1986). A posição corporal aliada a técnica empregada, pode promover uma perda significativa do comprimento do salto, como ocorre quando o atleta toca com as mãos a areia durante a aterrissagem.




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