Estresse: o vilão silencioso

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A correria do dia a dia, as múltiplas tarefas que se acumulam no trabalho, nos estudos e em casa, a adrenalina que corre solta pelo trânsito, são todos fatores a que estamos expostos diariamente e dificilmente temos como evitar. A sociedade atual vive como uma bomba relógio, prestes a explodir, carregada de pessoas com pouco ou nenhum tempo para relaxar ou ter momentos de lazer. Pessoas que estão frequentemente expostas ao constante estresse, doença que não escolhe classe social, sexo ou cor para atingir.


Silencioso e muitas vezes imperceptível no início de sua ação, o estresse é capaz de dificultar a vida profissional e social de uma pessoa, além de trazer inúmeras outras doenças para a mente e para o corpo. De acordo com a psicóloga Hallana Zollet o estresse pode ser caracterizado como um distúrbio, que precisa de tratamento, ou ainda, ser um comportamento diante de uma situação atípica do cotidiano da pessoa.

Entre alguns acontecimentos que são capazes de desenvolver o estresse, ela destaca o pouco sono, a sobrecarga e pressão no trabalho ou em casa, a rotina, fatores financeiros, relacionamentos, uma jornada dupla ou até tripla, cobranças, tomada de decisões difíceis, distúrbios hormonais, entre outros fatores que precisam ser analisados individualmente, pois muitas situações podem ser estressantes para uma pessoa, mas não para outra.

Sintomas do estresse

Os sintomas geralmente apresentados por quem está passando por um período de estresse podem ser vários, como alterações no sono, que pode ser a falta ou excesso, alterações no apetite, dores crônicas, dores de cabeça, arritmia cardíaca, problemas digestivos, entre muitos outros. Dentro dos danos psicológicos, Hallana explica que o estresse pode trazer dificuldades para se concentrar, fadiga, pesadelos, ansiedade, dificuldade de lidar com problemas do cotidiano, dificuldade de ter momentos de lazer, agressividade e falta de assertividade.

O estresse nem sempre é percebido logo no início pela pessoa, muitas vezes outras doenças e problemas na vida social começam aparecer, para então ela buscar por um tratamento. A psicóloga também alerta que nem o diagnóstico do estresse por um profissional da área da saúde pode ser feito apenas com uma única visita ao médico. Segundo ela, o profissional só pode reconhecer que se trata de um caso de estresse ao decorrer do tempo. "É preciso um acompanhamento e também que os sintomas persistam por mais de 30 dias. É necessário cautela, pois o estresse é uma doença que geralmente a pessoa que sofre com ele só o percebe quando está tendo prejuízos em sua vida e então é hora dela buscar por um tratamento", destacou

Entre os tratamentos contra o estresse, dentro da psicologia, Hallana explica que a psicoterapia é capaz de trazer excelentes resultados, pois é uma forma de abordagem que vai investigar a história de vida do indivíduo, perceber qual a origem desses sintomas e as consequências dos seus comportamentos (agressividade, alterações no sono, pensamentos negativos, entre outros). "O psicólogo vai mostrar à pessoa como ter novos comportamentos, como desenvolver o autoconhecimento, ter reflexões sobre sua história, tomar consciência das consequências dos seus atos, mostrando novos caminhos e condutas que poderão ser seguidos. A psicoterapia ainda proporciona uma escuta sem julgamentos, sigilo sobre as sessões, um acolhimento, a fim de restabelecer a qualidade de vida do paciente", salientou.

Os danos físicos do estresse

Além de desencadear doenças psicológicas, o estresse muitas vezes provoca outros tipos de danos à saúde e um deles são as dores pelo corpo. Muitas pessoas que sofrem com o estresse diário reclamam de dores principalmente musculares. Segundo a fisioterapeuta Gracieli Zanco, as regiões que os pacientes mais se queixam quando estão com níveis de estresse alto, são os ombros, a coluna, podendo se manifestar na região lombar, dorsal ou cervical e na articulação temporomandibular, (ATM). Ela explica que o estresse se manifesta através do acúmulo de tensão em determinados músculos, que deixam de contrair e relaxar normalmente, passando a um estado de contração contínua, tornando difícil a circulação sanguínea neste local e formando pontos de tensão, que são como pequenos nódulos ou caroços, que quando estimulados doem, mas depois a dor alivia e provoca uma sensação de relaxamento.

Para aliviar as dores musculares causadas pelo estresse, Gracieli comenta que o ideal seria evitar o motivo do estresse, mas como o agente causador normalmente está presente no dia a dia das pessoas, é preciso aprender a lidar com ele. "Se possível evitar situações estressantes, ter algo que funcione como uma válvula de escape também ajuda, pode ser um esporte, um artesanato, academia, dança, alguma terapia ou tratamento, enfim, algo que seja prazeroso e, claro, aquela velha dica de não misturar trabalho com vida pessoal", orientou.
Quanto aos tratamentos, ela explica que existem diversas formas de tratamento, bem como diversos profissionais que podem ajudar a pessoa estressada. "No que diz respeito ao fisioterapeuta, este pode indicar o pilates, que além de atuar como algo relaxante, também fortalece e músculos fortes correm menos risco de lesionar, também tem a acupuntura, a microfisioterapia e as deliciosas massagens", relatou.

Estresse na pele

A pele também é uma parte do corpo onde o estresse se manifesta e muitas doenças dermatológicas têm relação com os períodos prolongados de excitação emocional. A dermatologista Carla Sarolli comenta que o estresse em excesso pode trazer grandes e até perigosos problemas para a pele, pois a irritabilidade causada pelo ritmo acelerado do dia a dia é capaz de provocar a liberação inadequada de neuropeptídeos, substâncias químicas produzidas pelas terminações nervosas do cérebro que, ao reagirem para proteger a pele de infecções e traumas, cria inflamações e sensações cutâneas desagradáveis.

"Considerado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) como um dos principais agravantes de doenças dermatológicas, o estresse pode provocar intensas alterações no corpo, além de gerar os famosos radicais livres, que são responsáveis pelo processo de envelhecimento. Todas essas alterações implicam numa infinidade de problemas, desde o surgimento de acnes, dermatites, rugas e até problemas crônicos, como psoríase e vitiligo, que são doenças ligadas diretamente à produção inapropriada de anticorpos", alertou.
As unhas e os cabelos também acabam sendo vítimas. Carla explica que junto com o estresse podem surgir doenças como queda capilar difusa, dermatite seborreica (também conhecida pelos nomes de seborreia, caspa ou eczema), a alopecia areata (perda de cabelo localizada em áreas bem delimitadas) e a própria psoríase (doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa).

As unhas, pelas alterações nos níveis de anticorpos, que causam uma baixa na imunidade, podem ficar mais fracas e quebradiças ou também serem agredidas pela onicomose, que é uma micose causada pela diminuição dos anticorpos, que atinge as unhas, tanto das mãos quanto dos pés.

De acordo com a dermatologista, o estresse pode ser derrotado com medidas simples do dia a dia e, para neutralizar os efeitos provocados por ele na pele, é preciso combater o agravamento das doenças cutâneas com terapias dermatológicas tradicionais indicadas conforme o caso. Depois, a dica é recorrer às "estratégias de gerenciamento", que, segundo Carla, podem incluir: a psicoterapia, terapia cognitivo-comportamental, meditação, ioga, reiki e acupuntura. Além disso, ela recomenda a prática de exercícios físicos, que podem ajudar a aliviar o problema, ou realizar atividades prazerosas em conjunto com uma alimentação adequada, rica em alimentos que combatam os radicais livres, como as frutas e os legumes.



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