Maconha: a balança pesa para os benefícios ou para os malefícios?

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Cada vez mais se discute a possibilidade de legalizar o uso de maconha, tanto para fins terapêuticos como recreacionais. Um dos principais eixos desse debate está relacionado aos potenciais efeitos prejudiciais da droga à saúde. Muitos estudos já foram realizados sobre este assunto, porém, devido à diversidade de abordagens e os tipos diferentes de ensaios desenvolvidos, apresentaram resultados conflitantes.
Para sistematizar e ponderar os principais resultados existentes, um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas dos Estados Unidos produziu uma nova revisão de dados da literatura científica sobre os efeitos do uso da maconha para a saúde, que foi publicada recentemente na revista médica The New England Journal of Medicine.
Se o primeiro contato com a droga ocorre no período da pré-adolescência e adolescência, aumenta a chance de adição (vício). Além disso, a droga produz síndrome de abstinência, o que dificulta a pessoa parar de usá-la, e seu uso está associado a um maior risco de uso de outras drogas.
O uso da droga na adolescência traz um agravante. O cérebro humano se desenvolve desde o período antes do nascimento até os 21 anos de idade. Neste período de desenvolvimento o cérebro é muito mais vulnerável a agressores ambientais (como a maconha), e o déficit de desenvolvimento leva a efeitos permanentes. Adultos que fumavam maconha regularmente na adolescência apresentaram deficiências relacionadas com atenção, alerta, aprendizado e memória.
Outro aspecto abordado diz respeito à piora na capacidade de dirigir automóvel nos usuários de maconha. Este efeito é observado tanto de forma imediata após o uso, como também a longo prazo.
Os pesquisadores salientam que a noção que se tinha da maconha como uma droga inofensiva não combina com os crescentes efeitos adversos apresentados pelos usuários, e sugerem que esta incongruência pode ser devido ao aumento verificado nos últimos anos no conteúdo do principio ativo da maconha, o tetrahidrocanabinol, que pulou de 3% nos anos 80 para 12% em 2012.
Há efeitos que devem ser observados e que não podem ser ignorados pelos sistemas de sáude. Se formos colocar na balança, os benefícios e os malefícios, para que lado pesará?



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